20/11/2010
“Em 1962, quando tinha 44 anos, Mandela assumiu a direção do movimento para fundar a Lança Nação (conhecida como MK), o braço armado da CNA, passando a ser seu primeiro comandante. Quando a MKN iniciou alguns atentados a bomba contra alvos militares, Mandela foi para a clandestinidade e tornou-se um foragido, o homem mais procurado da África do Sul, uma figura sombria que os jornais brancos chamavam de Pimpinela Negro.”
Extraído do livro “Os caminhos de Mandela, lições de vida, amor e coragem”, de Richard Stengel, Editora Globo, pág. 136.
Saiu hoje na Folha (*), primeira página:
Saiu hoje na Folha (*), primeira página:
“Petista (sic) eleita tinha código de acesso a armas de guerrilha”.
“Com mais dois militantes, Dilma Rousseff zelava pelas armas da VAR-Palmares, organização que combateu a ditadura…”
“Zelar” significa ter a senha para ter acesso às armas.
O José Serra cortou os pulsos hoje de manhã, ao abrir o jornal de sua predileção.
Lamentavelmente, diria a Marina, a Folha se atrasou ao ter acesso aos documentos que os torturadores redigiram sobre a Dilma.
Isso nas mãos do Ali Kamel, já pensou, amigo navegante ?
Uma semana antes da eleição no segundo turno, já imaginou como estaria o semblante do Bonner ?
“A candidata Dilma Rousseff guardava o arsenal da guerrilha sanguinária !”, diria ele.
Além de tudo, o Serra, também conhecido como Padim Pade Cerra, tem azar.
O que a Folha vai ajudar a fazer, porém, é construir a história de uma democrata.
Como a Bachelet do Chile, Begin de Israel, e o maior de todos, Nelson Mandela, Dilma participou da luta armada.
Ela estava do outro lado ao do pai do Otavinho.
O pai do Otavinho entregava os carros de “reportagem” aos torturadores.
Dilma era torturada.
Porém, Dilma atravessou a ponte e ajudou a construir a democracia.
Trajeto que o filho ainda não fez, de corpo e alma.
Nesta nossa sub-democracia (e é “sub” porque, entre tantos motivos, o PiG (**) é tão forte), nesta nossa sub-democracia, um dos fenômenos mais eloquentes de amadurecimento foi, precisamente, a capacidade de o sistema partidário convencional incorporar os lideres guerrilheiros.
A democracia brasileira – tão fraquinha, como é - pôs para dentro da Constituição – tão imperfeita, como é – aqueles que, um dia, com coragem e destemor foram para a luta armada para derrubar os usurpadores e torturadores.
A Folha deveria incumbir seus colonistas (***) da página 2 de escrever sobre a conversão de Dilma à democracia.
E mais: à democracia que inclui, que põe para dentro do sistema capitalista os miseráveis que o “Brasil de 20 milhões” (onde habitava o pai do Otavinho) preferiria ignorar.
E o mais fascinante de tudo: a Dilma depôs as armas (ou o código, como prefere a Folha) e ganhou o jogo mais importante da democracia: se tornou presidente da República por 56% a 44%.
A Folha é que tem um encontro com a Justiça, se a Dilma quiser.
Que é provar que a ficha “falsa” da Dilma é verdadeira.
A Folha tem mania de “ficha falsa”.
Ela vai tentar vender aos leitores que aquilo que os torturadores dizem da Dilma é verdade.
É a farsa dentro da farsa.
Ou a farsa dentro da ignomínia.
Coitado do Padim Pade Cerra.
O Otavinho chegou trinta dias atrasado.
A Eliane Catanhêde vai pedir o terceiro turno.
by Paulo Henrique Amorim
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